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Clipping Conversa no Armário
Título: Conversa n’O Armário
Veículo: Permitido.com.br por Leonardo Davino
Categoria: Portal GLS
Data de publicação: 01/09/2006
Link da publicação original:
http://www.permitido.com.br/cultura/exibe.asp?id=86
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Por Leonardo Davino
A simbologia do armário, principalmente em se tratando da sexualidade humana, é extremamente importante e significativa, dando margem a várias teorias e funcionalidades. Tentando entender e explicar essas significações, O Armário – vida e pensamento do desejo proibido, de Fabrício Viana, escrito em linguagem jornalística, divide-se, basicamente, em duas partes.
Diferente do escritor Andrew Sullivan, que também partiu de suas próprias experiências para escrever o livro Praticamente Normal, Fabrício Viana, não tem problemas em assumir seus desejos, o que para Sullivan são, por vezes, assumidos de forma “tortuosa e subterrânea”. Daí porque muitos homossexuais procurarem os guetos, haja vista não conseguirem viver sua sexualidade de forma normal. Vindo daí também a visão deturpada das pessoas “normais” em relação ao “mundo guei”.
Fabrício Viana, de forma extremamente coerente, pede pela integração social total do homossexual. Não há vida guei paralela, é uma afirmação constante nas entrelinhas do texto. Mas então por que não há essa integração? Porque, segundo o autor de O Armário, entre outras coisas, enquanto tivermos medo do “diferente” é sinal de que temos medo de algo em nós mesmos.
Na primeira parte, intitulada “Minha Descoberta”, o autor narra a história de sua vida, ou melhor, conta ao leitor como ele fez ao descobrir suas tendências homoeróticas e como fez para “sair do armário”. Assim, ele assume todas as responsabilidades de uma narrativa em 1º pessoa., mas deixando claro que cada caso é um caso e esta é “minha história”.
Esta primeira parte do livro certamente dá base para as afirmações feitas por Fabrício Viana na segunda parte, indo do segundo ao último capítulo. Aqui ele investiga didaticamente a simbologia do armário, desde a história da condenação à homossexualidade, buscando entender as entradas e saídas no armário feitas por muitos homossexuais, até a homofobia “atual”. Aliando a isso a rejeição histórica ao feminino e ao machismo do próprio homossexual.
Aliás, O capítulo “Potencializando a homofobia” é, sem dúvidas, o mais instigante, devido às afirmações, com base nas teorias e vivências como psicólogo, feitas pelo autor, apontando as conseqüências desastrosas da homofobia internalizada.
Numa época em que muitos alardeiam a “morte” da família, acusando a homossexualidade como uma das causas, Fabrício Viana aponta importantes experiências no/para a família, mas da família “real”, sem utopias.
Certamente o livro atinge seu objetivo que é “levar informações importantes a todos que desejam conhecer um pouco mais sobre a homossexualidade”. Mas fico pensando se os autores, em geral, e óbvio, por todos os limites gráficos e pelos recortes temáticos feitos, não reforçam a idéia de que existe apenas uma forma de “viver” a homossexualidade. Para mim, assim como há várias formas de ser heterossexual, há também várias expressões das tendências homoeróticas, e Fabrício Viana, por vezes, atenta para isso. Sendo assim o armário exige um olhar muito mais aprofundado em sua análise de representação. O passo inicial, sem dúvidas, foi dado nesse livro.
Não há regras, muito menos manual de como sair do armário e Fabrício Viana não tem a pretensão de faze-los, ainda bem.
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